NOTA DO SINJOPE/FENAJ EM SOLIDARIEDADE AO MST

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Por: Sinjope.

A Diretoria e a Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas  (Fenaj) vêm a público solidarizar-se ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), no estado, e repudiar a ação de despejo impetrada contra o Centro de Formação Paulo Freire, localizado no Assentamento Normandia, na cidade de Caruaru. O despejo foi solicitado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e aceito pelo juiz federal da 24ª Vara Federal de Caruaru, que determinou imediata reintegração de posse, inclusive com uso de força policial e destruição da área comunitária no entorno do centro, onde funcionam três agroindústrias que pertencem à cooperativa agropecuária de Normandia.

O Centro de Formação Paulo Freire realiza um importante trabalho no campo da Educação, na formação de profissionais com foco na Agroecologia e preservação do Meio Ambiente e na luta para a efetivação do direito humano à comunicação, por meio de cursos e oficinas para a produção de conteúdos.

Uma entidade de classe como o Sinjope, que defende o estado democrático de direito, a democracia em todas as suas formas, não poderia se calar diante deste fato. Até porque a Comunicação, esse direito humano e elemento fundamental para as democracias, funciona também como um espaço de diálogo entre as instituições e a população. E em nossas sociedades de massa, nós, jornalistas, também somos mediadores de conteúdos. E esse episódio contra o MST sinaliza para um conteúdo violador, repressor e contra as liberdades democráticas. Por isso,é preciso enxergar para além dos discursos que visam criminalizar os movimentos sociais, entre eles o MST.

Numa história de avanços e conquistas, além de oficina de rádio e de comunicação popular, vários cursos foram realizados no Centro de Formação do MST, em Normandia, com a parceria de diversas universidades (UFPE, UPE, IFPE, FIOCRUZ, UFRPE, UAG, IPA) e, mais recentemente, o de Geografia com a UPE. Além disso, foi iniciado o doutorado em Agroecologia, como relata o documento emitido pela direção do MST em Pernambuco, no último dia 05/09. Fruto da mais recente iniciativa do centro é a creche Ciranda Infantil, resultado da interação com a Federação Unificada dos Petroleiros(FUP).

O próprio Incra já realizou várias capacitações com servidores e técnicos da instituição, como especifica o documento. Por isso, questionamos qual o motivo para o Incra pedir a reintegração de posse com autorização do uso de força policial, a não ser pelo caráter ideológico, autoritário e de perseguição do Governo Bolsonaro aos movimentos sociais.

O Centro de Formação Paulo Freire faz parte do assentamento Normandia, criado em 1998. Naquela época, a equipe técnica do Incra orientou o MST para que a sede fosse utilizada de forma coletiva para a capacitação e formação dos assentados do estado. No ano de 1999, foi construído um auditório, depois, alojamentos e aos poucos, por meio de campanhas, realizada a estruturação do Centro de Formação. Hoje há no local a casa sede, alojamento com capacidade para 240 pessoas, auditório para 700 a 800 pessoas, salas de aulas, Tele Centro e Casa da Juventude.

O juiz determinou que toda área comunitária fosse destruída. Neste espaço há três agroindústrias que pertencem à cooperativa agropecuária de Normandia, a agroindústria de beneficiamento de carne, raízes e tubérculos, pães e bolos, que pertencem ao do coletivo de boleiras. A destruição de tudo, seria um enorme retrocesso.

Diante disso, a Comissão de Ética e a Diretoria do Sinjope se unem para denunciar esses desmandos e somar forças contra essas arbitrariedades.

Dizemos NÃO à ação de despejo contra o Centro de Formação Paulo Freire!

Recife, 09 de setembro de 2019

Diretoria e Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope);

Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

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